Poucas palavras:

Blog criado por Bruno Coriolano de Almeida Costa, professor de Língua Inglesa desde 2002. Esse espaço surgiu em 2007 com o objetivo de unir alguns estudiosos e professores desse idioma. Abordamos, de forma rápida e simples, vários aspectos da Língua Inglesa e suas culturas. Agradeço a sua visita.

"Se tivesse perguntado ao cliente o que ele queria, ele teria dito: 'Um cavalo mais rápido!"

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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Why everyone should love languages: An interview with Rosie Goldsmith

Rosie Goldsmith is an award-winning journalist and has traveled the world reporting on current affairs. She was born in the UK but has spent time living in many different countries including South Africa, Germany and Italy. Rosie is a passionate advocate for immersing yourself in different cultures and is the creator of the European Literature Network.

“Hearing the sounds of all the different languages was just magical to me”

The interview began with Rosie telling us all about her travels when she was younger, and how this started her language learning journey. She loved to find out more about the people and the culture of the country she was visiting. She realised very early on that language was the tool she needed to be able to really experience what a country was like.
It was therefore a natural choice for Rosie to study languages at school and university. However, she does warn of the difference between formal education over immersive learning. Teachers will generally have a formal approach to the language so you can understand and manipulate it, but in practice you’ll often find that’s not how the language is spoken. For example, when learning French you’re taught to say “Comment allez-vous?” to greet someone. In France, however, you’re much more likely to hear “Ça va?” instead. It’s these colloquialisms that you don’t normally pick up with only formal language lessons.
“My languages are a passport”

Rosie had never planned to become a journalist. It was a case of right place, right time while she was living in Germany. Going into broadcasting meant that she had the opportunity to ‘perform’, which she was used to from her days as a singer and actress. So it felt a very natural career choice for her. However, Rosie confesses that the opportunity was only possible thanks to her ability to speak in German, French and then later, Italian.
“Not saying you have to be an extrovert to learn a language… but it does help!”

Clear in her belief that everyone should try to learn another language, Rosie thinks that it is in fact criminal for young people not be given the opportunity at school. Like any subject, languages can be hard to start with. Not everyone is going to be good at it. It’s about getting out there and trying, even if you only learn a few phrases.
Rosie also reminded us that language learning isn’t isolated. Language ties up with other interests such as history or music. So find something you’re interested in and just give it a go!
“I love the fact that they make me into different people”

According to Rosie, language has the power to affect your personality. For example, German is much more formal compared to Italian which makes the speaker more expressive. To Rosie, “a language is a cognitive door to a deeper sense of yourself.”
It was this aspect of languages that impacted her choice for her university degree. Rosie explained that she had traveled to both France and Germany and each country had brought out a different side of her. She therefore couldn’t chose between the two and just decided to study both!
Rosie finished the interview by telling us all about her favourite words and impressing us with her ability to switch seamlessly between languages!
Watch the full interview below:


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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Entrevista com Roberto Murawski. .




Poderia fazer um breve resumo da sua vida profissional e nos contar como se tornou professor de Língua Inglesa?

Tornei-me professor de Inglês de forma acidental. Assim o digo pois já possuía outra profissão e nunca havia cogitado lecionar profissionalmente. Ocorre que, em virtude da incessante busca em manter o nível e fluência até então adquiridos depois de mais de 20 anos estudando a língua e vivido no exterior (Inglaterra e Canadá), passar a ensinar revelou-se um processo natural e eficaz a fim de atingir este desiderato. Após obter titulação internacional (Cambridge – CAE) alguns familiares insistiram para que eu ministrasse aulas particulares e assim foi o início deste ofício que exerço juntamente com a minha outra profissão.

Como aprendeu inglês? Usou algum método especifico? Qual a sua opinião em relação ao ensino de línguas estrangeiras no Brasil?

A minha experiência com a língua foi iniciada na infância (12 anos de idade) e perdura até a presente data (35 anos atualmente). Neste ínterim estudei em diversas escolas de Inglês, tais como Fisk, College, Cultura Inglesa, PLI (Canadá) e Edgware Academy (Inglaterra).

No tocante à minha opinião sobre o ensino de línguas estrangeiras no Brasil, acredito que não possuo embasamento, tampouco dados para tecer profundas considerações sobre o tema proposto. Todavia, é notável que, na escola pública, o ensino da língua Inglesa deixa muito a desejar.

Você já estudou outro idioma?
Sim. Estudei Francês (Aliança Francesa), nível intermediário.

Quais os planos para a vida profissional? E como a língua inglesa se encaixa em tais planos? Já pensou em estudar Letras?

Os planos para o futuro profissional no que cerne a língua Inglesa consistem em manter ou quiçá, aprimorar minhas habilidades com a língua bem como desenvolver minha capacidade de transferir todo o conhecimento que adquiri no decorrer destes anos.

Como é o seu relacionamento com os outros colegas de profissão, costuma participar de encontros, congressos, workshops com outros professores?

Como ministro aulas particulares não tenho contato com outros professores. Conheço alguns professores e esporadicamente conversamos sobre o ofício, métodos de ensino, material didático, etc.

Como é Roberto Murawski professor e como foi esse mesmo Roberto Murawski aluno?

Acredito que mantenho as mesmas características tanto no papel de aluno como de professor. Sempre fui estudioso e esforçado, curioso e inquisitivo, e acima de tudo, perseverante. Entretanto, confesso que na qualidade de professor, novos desafios têm surgido, uma vez que, não basta ter vasto conhecimento da língua, é preciso, antes de tudo, ter a capacidade de transmitir este conhecimento.

Quais são as maiores dificuldades no ensino de inglês na região onde você atua?

Falta de material didático disponível nas livrarias locais.

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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Mês dos professores BrELT: entrevista com Bruna Caltabiano e Bruno Coriolano

Concedi uma minientrevista no BrELT. Vejam a entrevista:



Hoje é dia de Brunx! Não, Brunx não é uma cidade da qual você nunca ouviu falar ou o nome de uma celebração Celta. É a nossa brincadeira com o tal do –x para representar o gênero neutro é para dizer que hoje é o dia da Bruna e do Bruno.

Os Brunxs representam figuras muito interessantes da nossa indústria de ensino de inglês.

Bruna Caltabiano é uma empreendedora. Sabe aquele ditado que diz ‘Não está satisfeito? Faz melhor!’. Pois é, Bruna é co-fundadora e diretora acadêmica da Catalbiano idiomas. A Bruna foi lá e fez!

Bruno Coriolano é, dentre outras coisas, um acadêmico. Com um currículo invejável, Bruno provavelmente é um desses professores que não vai aceitar algo só porque alguém disse que é assim. O Bruno estuda, estuda muito.

Em que contextos você atua?

Bruna Caltabiano: Sou co-fundadora e diretora acadêmica da Caltabiano Idiomas. Também dou aulas, o que é a minha verdadeira paixão!

Bruno Coriolano: Sou mestrando do PPGI – Programa de Pós-Graduação em Inglês: Estudos Linguísticos e Literários, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atualmente dedico-me apenas aos estudos acadêmicos (Stricto sensu).

O que motivou você a seguir carreira no ensino de inglês?

Bruna Caltabiano: Sempre sonhei em ser professora de inglês. Quando criança, comprava meus livros da escola regular em uma rede de franquias de inglês. Eu tinha acabado de aprender a ler (tinha uns 7 anos) quando peguei um livreto desta escola que dizia que quem fosse bom aluno no nível avançado poderia ingressar no curso de professores e dar aulas lá. Desde então sonhava em ser professora de Inglês.


Bruno Coriolano: Basicamente a paixão pela língua. Depois, com o passar dos anos, fui gostando da ideia de ser professor e hoje tento me manter informado para poder conciliar, em um futuro próximo, duas funções: Professor e pesquisador.

Como foi sua trajetória profissional?

Bruna Caltabiano: Comecei a dar aulas nesta mesma escola do livreto vermelho, o CCAA, aos 19 anos. Foi uma grande emoção quando, após alguns anos, fui convidada a lecionar o curso de professores que eu tanto sonhava em fazer. Trabalhei no CCAA por mais de 10 anos , atuando como professora e coordenadora.

No CCAA conheci meu sócio. Iniciamos uma parceria com a Santa Casa de SP onde ministramos cursos para estudantes de medicina e médicos. Foi assim que a ideia da Caltabiano Idiomas surgiu, mesmo que ainda tímida. Em 2011 abrimos a escola oficialmente e desde então temos diversos cursos, para alunos e professores de inglês.


Bruno Coriolano: Sou especialista em língua Inglesa pela Faculdade Vale do Jaguaribe (FVJ). Tenho certificação Internacional (TEFL/TESOL). Graduado em Letras – Língua Inglesa e suas respectivas literaturas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Tenho treze anos de experiência em ensino de Língua Inglesa, já tendo atuado em várias instituições, como o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), campus Mossoró, no Departamento de Línguas Estrangeiras (DLE) na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN, Campus Central. Tenho experiência profissional nos Estados Unidos da América, onde residi nas cidades de Atlantic City e Brigantine Beach, ambas no estado de New Jersey.

Por que você participa da BrELT?

Bruna Caltabiano: Participo da BrELT porque gosto de estar em contato com colegas e trocar ideias e experiências.

Bruno Coriolano: Gosto da troca de experiências.

No que a BrELT auxilia/auxiliou no sua formação profissional?

Bruna Caltabiano: A troca de ideias é essencial na formação do professor. É isso que mais gosto da BrELT – ajudar e ser ajudada!


Bruno Coriolano: Acredito que a comunidade contribui muito para nosso aprendizado de forma contínua por meio dos chats, trocas de ideias, indicações de material, etc.

Moderação BrELT: Obrigado, Bruna e Bruno! Temos certeza de que suas histórias inspirarão muitos professores.


Link da postagem original: (LINK)

sábado, 14 de março de 2015

Entrevista com INSUBS.


A entrevista dessa semana é com a equipe de legendadores INSUBS. Espero que gostem da mesma. Nossos questionamentos foram bem diretos e as respostas também.

Portanto, cinco minutinhos do seu tempo são mais do que necessários para tomar conhecimento de como funciona a INSUBS.  

01.     Primeiramente eu gostaria de agradecer por ter aceitado nosso convite para a entrevista. Vamos começar com o básico: como surgiu a ideia do site?

Não somos primeiramente um site, somos primeiramente uma equipe de legenda, que surgiu através de uma outra equipe extinta, e fazemos parte da comunidade do legendas.tv. 


02.     Como funciona o InSUBs? Qual o objetivo do site?

A equipe tem como objetivo criar legendas para as séries que gostamos de assistir.

03.     Quantas pessoas participam hoje do site e quais as funções delas? São todos legendadores?

Sim, somos todos legenders. Dividimos a equipe entre os novatos (recém-chegados, que ainda precisam aprender alguma coisa), legenders, revisores e administradores.


04.     É preciso ter alguma formação acadêmica ou ter algum curso para poder fazer parte da equipe? Qualquer pessoa pode fazer parte da equipe?

Para fazer parte de qualquer equipe de legendas é necessário saber falar bem o inglês e ter uma boa base de português. O resto nós ensinamos, não é preciso fazer um curso específico, não.

05.     Sabemos que as séries de TV lançam seus episódios e logo os fãs correm para baixá-los. Como vocês se organizam para disponibilizar as legendas?

Isso depende muito da série. Tem séries que ficam prontas em menos de 24 horas depois do episódio ir ao ar; outras podem levar até 7 dias (prazo máximo de todas as legendas).


06.     Já cometeram muitos erros? Poderiam dividir alguns momentos cômicos conosco?

Sim, já tivemos muitos erros, mas não consideramos engraçado porque levamos muito a sério esse hobby.  Quando tem um erro sempre ficamos chateados por ter deixado o dito cujo passar na revisão. 


07.     Quais séries são mais difíceis de legendar e quais são as mais fáceis?

Toda série tem sua dificuldade. O mais fácil de legendar é aquela série com a qual a pessoa está habituada. Séries médicas têm termos específicos, assim como séries jurídicas. E as comédias tem muitos trocadilhos que nos dão trabalho.


08.     Vocês já tiveram algum problema com direitos autorais ou coisa do tipo?

Não, as legendas estão em uma área considerada "cinza". Não é ilegal, contanto que a gente não ganhe dinheiro com elas, e nem podemos divulgar os arquivos de vídeo. Disponibilizamos somente as legendas.


09.     Vocês assistem à todos os episódios de todas as séries que vocês legendam?

Os revisores, sim, precisam assistir aos episódios das séries que revisam. Os legenders, não precisam, e muitas vezes não o fazem.


10.     Algum legendador já deixou vocês na mão? O que acontece quando alguém não entrega as legendas no prazo combinado?

Sempre, em todas as séries isso acontece. O revisor acaba tendo que fazer a legenda necessária, ou então ele acha outra pessoa para fazer. Isso acaba atrasando um pouco todo o processo.

11.     Como vocês escolhem quem vai legendar o que? Tipo, o legendador escolhe qual série ele quer legendar ou vocês têm alguma regra básica para isso?

Cada legender faz a legenda que mais interessa a ele =)


12.     Já aconteceu de ter uma série ou filme que quase ninguém quis legendar? Se sim, como foi? O que aconteceu?

Sim, sempre acontece. O revisor precisa se virar e fazer tudo sozinho =(


13.     Aonde vocês pretendem chegar com o site? Vocês têm planos de lançar legendas em outras línguas ou só em língua portuguesa?

Não temos ambição, só queremos continuar proporcionando legendas de qualidade para os fãs das séries. =)


sábado, 30 de agosto de 2014

Entrevista com Natália Guerreiro.





01 – Poderia fazer um breve resumo da sua vida profissional e nos contar como se tornou professora de Língua Inglesa?

Escolhi ser professora por eliminação, mas ao contrário. Letras foi a primeira faculdade que eliminei. Sempre ouvia falar mal da carreira de professor de língua materna ou estrangeira, fosse pelo salário ou pelas condições de trabalho. Tinha decidido fazer Direito como caminho para diplomacia, mas nunca fui das pessoas mais políticas ou diplomáticas. Já no Ensino Médio me peguei pensando por que eu eliminei Letras de prima: porque era a que mais me chamava a atenção. Como num gesto de abnegação, resolvi enfrentar as adversidades mesmo assim. E vou te dizer: não é tão ruim quanto pintam. É difícil, de fato, mas há boas opções dentro da carreira.

Comecei a carreira, então, cursando Letras Português-Inglês na UFRJ e trabalhando num curso lá mesmo, o CLAC-UFRJ, que me deu as primeiras experiências como professora e estimulou a reflexão sobre prática e teoria. Após a graduação, fui para a Cultura Inglesa Rio, que foi para mim uma verdadeira escola. Pouco depois de eu ter voltado da Austrália, onde fui fazer um M.A. em Linguística Aplicada com foco em Avaliação, saiu um concurso para a Aeronáutica. Pode-se dizer que entrei de gaiata no navio, quer dizer, no avião. Mas hoje tenho orgulho de dizer que trabalho com avaliação de inglês dos controladores de tráfego aéreo e pretendo investigar mais essa área no mestrado que iniciei neste ano.

02 - Como aprendeu inglês? Usou algum método especifico? Qual a sua opinião em relação ao ensino de línguas estrangerias no Brasil?

É aquilo que nós professores sempre dizemos: aprender língua é algo para toda a vida. O meu início de aprendizado foi do jeito menos extraordinário possível: quando entrei na 5ª série (hoje se chama 6º ano, né?), meus pais me matricularam no IBEU, um curso no Rio que usa a abordagem comunicativa. Aquele esquema de 50 min de aula 3x por semana ou 1h30min 2x por semana. A escola também começou a oferecer um tempinho ou dois de inglês por semana. Até então, meu contato com o inglês tinha sido muito limitado, umas fitas e um joguinho que meu pai tinha trazido dos Estados Unidos. Ou seja, minha base foi mesmo o cursinho de inglês.
Nos meus 13/14 anos, tive uma revolução de exposição à língua: chegaram a internet discada e a TV a cabo. Uma das minhas atividades favoritas na adolescência era assistir às séries legendadas com um dicionário inglês-inglês da Longman no colo, indo e vindo nas expressões que ouvia e aprendendo várias outras pelo caminho. Sei que estou passando atestado de idade avançada, mas gosto de contar essa história para que outros saibam que é possível aprender sem morar fora ou mitos parecidos.
Sobre o ensino de língua inglesa no Brasil, minha opinião é de que ele depende muito do contexto social e regional, mas principalmente penso que nos faltam dados sobre a nossa realidade. Tenho visto muitas generalizações e poucos dados para embasar.

03 - Quais os planos para a vida profissional?

Como disse, estou fazendo o mestrado em Linguística Aplicada na Unicamp e, dependendo de quão traumática seja a experiência, talvez eu enfrente um doutorado depois. Meu plano por enquanto é continuar na FAB, pois é um trabalho estimulante, mas talvez também tente dar aulas no nível universitário. Acho que deu para ver que não sou muito de planejar, né?

04 – Você participa ativamente de um grupo de professores de Língua Inglesa (BRELT) no Facebook. Como surgiu a ideia do grupo? Qual a importância do networking entre professores de várias regiões do país?

Sobre a origem do grupo, o melhor para contar seria o Bruno Andrade, um dos professores que o fundou. Mas achei a ideia ótima e tenho adorado trabalhar como moderadora. Ali temos professores de diferentes realidades com um fórum para compartilhar experiências, dicas e frustrações. Até eu conhecer a BRELT, não tinha ideia do que era PLN, personal learning network, mas nela encontrei o meu lugar. E gosto especialmente que seja uma comunidade feita por e para brasileiros, pois podemos refletir sobre as nossas realidades de professor no Brasil.
05 – Sobre qual assunto relacionado ao ensino você mais gosta de ler, estudar, pesquisar?

Já diria Cecilia Meirelles, “tenho fases como a lua”. Mas agora, claro, tenho concentrado minhas leituras no campo de avaliação de idiomas.

06 – Já passou por alguma situação inusitada em sala de aula?

Várias, mas o momento mais inesquecível foi uma aula em que eu estava sendo assistida pela auditora da minha região na Cultura Inglesa. Eu não podia estar mais nervosa. Era meu primeiro ano lecionando para crianças de 8 anos, e era a minha primeira vez com aquele livro. Todos os meus colegas tinham dito que a lição que eu teria de ensinar era a mais difícil de todo o semestre, pois cobria o verbo to be na interrogativa com todas as pessoas. Um dos alunos, ao ver a caixinha de gramática tomar a página toda pela primeira vez, falou: “Teacher, isso tudo!?”. Desespero me definia.

O meu colega Arthur Perez tinha me dado uma grande dica de fazer um drill com as model sentences: “Are you my friend? Yes, I am. Is he your friend? Yes, he is.” As crianças adoraram o ritmo e brincar de repetir. Terminei o drill e fui para a pergunta sobre a ordem das palavras na interrogativa em inglês: “‘you are my friend?’ or ‘are you my friend?’ ”. Como a Lei de Murphy é implacável, claro que os meus alunos responderam em uníssono: “YOU ARE MY FRIEND!” Eu suava frio.

Resolvi escrever a pergunta no quadro, mas enquanto eu estava fazendo isso, uma das alunas chega perto de mim e pergunta “Teacher, can I go to the toilet?” (Em inglês mesmo, graças!) Pedi para ela segurar um pouquinho e terminei de escrever a model sentence com as costas para o quadro. Quando termino de escrever, vejo uma mão levantada: “Yes, Pedro?”

“Teacher”, ele fez uma careta de nojo, “are you my TOILET?”

Viro para o quadro e lá estava o que escrevi, a embaraçosa pergunta lida pelo aluno e embaixo uma resposta ainda pior: “Yes, I am.”

Nem preciso dizer que a auditora caiu na gargalhada. Acho que o que me salvou foi que o Pedro puxou um coro de “TEACHER CRAZY, TEACHER CRAZY”, e eu aproveitei para criar uma nova model sentence: “Is the teacher crazy? Yes, she is.” Sem sombra de dúvida.

07 - Obrigado pela entrevista. Gostaria de deixar alguma mensagem para os leitores do blog?

Entrem na BRELT! :D A comunidade está crescendo muito, e temos bate-papos muito legais quinzenalmente. E vem novidade por aí!

Além disso, se me permitem um jabá básico, vou começar a publicar no blog da Richmond no dia 5 de setembro. Adoraria ler um feedback de vocês sobre o que escrevi.


segunda-feira, 28 de julho de 2014

Entrevista com Sílvio Branco: Um ex-professor de Língua Inglesa.




A entrevista dessa semana é com um ex-professor de inglês que se tornou professor de hebraico e vive fora do Brasil.  Sílvio Branco nos cedeu essa entrevista no dia 21 de maio de 2013. É uma entrevista bem curtinha, mas legal. O mesmo não cedeu nenhuma foto, mas ilustraremos na página com essa imagem, que a credito eu, melhor representa essa postagem.








1. Quando você começou a lecionar inglês?

Comecei a lecionar inglês bem cedo em 1987, aos 17 anos, dando aulas particulares. Aos 19, fui convidado a lecionar em uma escola de inglês onde posteriormente me tornei um dos donos.


2. Conte-nos um pouco da sua experiência como professor.

Já lecionei todos os grupos e níveis, inclusive em cursos de preparação para as provas da Cambridge. Mas a minha paixão sempre foi lecionar crianças - tudo é muito mágico, inclusive a metodologia.


Em Israel, o "bulk" da minha experiência foi preparar alunos para entrarem na universidade, preparando-os para os exames de inglês, aqui chamados de "Bagrut". Estes exames são bem parecidos com os da Cambridge (também nos níveis) onde os alunos são testados nas 4 habilidades: Reading, Speaking, Listening e Writing.


3. Como é a vida fora do lugar onde nasceu e quais as mudanças mais significativas na vida de alguém que decide viver em outro país completamente diferente do seu?

Bem, já estou aqui há 16 anos. Passei a grande parte de minha vida adulta aqui em Israel. No meu caso, a mudança mais significativa foi o idioma hebraico, que é muito diferente das línguas românticas.
No mais, o povo israelense é bem parecido com o brasileiro (claro que o "calor" humano brasileiro é incomparável :-) - são hospitaleiros, alegres e sabem curtir a vida.


4. Quando começou o interesse pelo hebraico (Língua)?

Eu comecei a estudar hebraico um ano antes de vir para Israel. Infelizmente devido a dificuldade de encontrar um curso ou professor, só sabia o básico do básico. Chegando aqui comecei o "ulpan" (escola de hebraico), o que me deu a possibilidade de me comunicar no idioma. Porém, devido ao fato de a grande maioria dos israelenses falarem bem inglês, por vários anos "caí na preguiça" de realmente falar o hebraico de forma fluente. Também por lecionar inglês, não tinha tanta oportunidade de praticar, a não ser, claro, em "small talks".


Meu hebraico começou a melhorar e muito, principalmente na escrita, quando comecei universidade, fazendo mestrado em "Special Education".

5. Existem muitas diferenças significativas entre essa língua e a língua inglesa, por exemplo?

Sim, as diferenças são significativas entre os dois idiomas. Por exemplo, assim como no português, no hebraico existe as diferenças marcantes entre o feminino e masculino; me refiro no adjetivos, substantivos, etc. O hebraico, porém, vai um passo além nesta diferenciação onde até mesmo a conjugação verbal é diferente entre o masculino e feminino. Todos os números em hebraico também são diferentes para os dois gêneros.

6. Pensa em voltar a viver no Brasil?

Sim, penso em voltar, se não definitivamente, pelo menos para passar alguns anos na "terrinha". Estando aqui, morro de saudades daí - mas sei que estar aí também sentiria muita saudades daqui..rsrsrs...acredito que é uma situação inevitável.


7. Conte-nos alguma situação inusitada vivida dentro da sala de aula.

São tantas em tantos anos... Mas acredito que uma das mais engraçadas foi na minha primeira turma aqui em Israel. Comecei em uma escola primária, escola religiosa. Na época e não falava ou entendia quase nada em hebraico. Um dos alunos me pediu para sair da sala. Eu confundi a palavra em hebraico para "ir ao banheiro" com "rezar". O deixei ir (afinal de contas, pensei, é uma escola religiosa). Depois veio o segundo aluno pedindo a mesma coisa, depois o terceiro, até que resolvi falar não, chega. Depois de várias "súplicas" de um aluno, entendi (por gestos que ele fazia) que o que ele queria é fazer xixi... bem, naquele dia aprendi uma palavra nova em hebraico.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Entrevista com Anderson Maia





01 – Poderia fazer um breve resumo da sua vida profissional e nos contar como se tornou professor de Língua Inglesa?

Iniciei a vida de professor de inglês quando ainda era aluno. Gostava de "dar aulas" para alunos de níveis mais básicos e sempre tinha alguém pra ajudar. Ao final dos 16 anos, entrei no curso de Letras-Inglês da Universidade Federal do Pará (UFPA) e aos 18 comecei a dar aula profissionalmente no Centro Cultural Brasil Estados Unidos (CCBEU), onde hoje sou gerente pedagógico. No CCBEU fiz muitos treinamentos, dos mais curtos aos mais longos. Aos 22 anos passei no concurso para professor substituto do curso de Letras na UFPA. Aos 23, fiz uma seleção para professor internacional em escolas públicas na Carolina do Norte (EUA), para onde me mudei e trabalhei no ensino fundamental por alguns anos. Durante esse período, fiz o mestrado em TESOL (Greensboro College) e retornei ao Brasil aos 25, quando novamente me tornei professor substituto da UFPA. No mesmo ano, assumi a direção do ensino no CCBEU. Hoje continuo como gerente pedagógico e dou aula de Letras em uma faculdade particular local. Também iniciei o doutorado em Ensino de Inglês na Indiana University of Pennsylvania (EUA), onde venho por alguns meses todos os anos para estudar.

02 – Como aprendeu inglês? Usou algum método especifico? Qual a sua opinião em relação ao ensino de línguas estrangerias no Brasil?

Somos eternos aprendizes do idioma. Mas iniciei essa caminhada de aprendiz em cursos de línguas aos 10 anos. Não utilizei método específico, mas hoje entendo que a leitura em inglês é uma das melhores maneiras de se aprender o idioma por várias razões: comprehensible input, scaffolding, authentic language, motivation (ler o que gosta), etc.

Em relação ao ensino de Línguas Estrangeiras no Brasil, estamos numa era da corrida contra o tempo e das soluções rápidas e fáceis. Aprender outra língua não é algo que se compra em 12 parcelas de R$300. Nem algo que se adquire com um intercâmbio de 1 mês. Penso que muitos cursos de inglês estão ganhando dinheiro com a falta de orientação das pessoas. Essa é minha visão global. Há, obviamente, muitas escolas sérias com bons materiais.



03 – Como professor substituto você teve uma visão de como funciona o ensino superior, qual sua impressão sobre o curso de Letras? É um ensino satisfatório ou precisa melhorar muito ainda?

Hoje o curso de Letras está cada vez mais dinâmico pelas constantes mudanças nos contextos sócio-político-educacionais e os recursos didáticos que vivem surgindo. Concluí o curso em 2005 e hoje a grade é completamente diferente do que era onde estudei. Para responder a pergunta sobre se o ensino precisa melhorar: sim, sempre.

Porém o foco que gostaria de colocar agora é no aluno de Letras. Todos reclamamos da desvalorização do professor, da atuação de não-professores na sala de aula, da superficialidade das discussões na área (especialmente em congressos e eventos) e dos baixos salários. Mas, sinto que se tivéssemos profissionais mais engajados, mais preocupados com o seu conhecimento e seu desempenho em sala de aula e com a luta pela valorização, a realidade seria bem diferente. O que quero dizer é que o próprio profissional é parte da razão pela qual outros desvalorizam a área de Letras.

Desde a faculdade, vejo alunos que não leem; não buscam fazer mais do que lhe é exigido em sala (quando fazem), realizam trabalhos com o menor esforço possível. Obviamente há ótimos alunos, mas minha leitura do aluno de Letras de forma geral é de um aluno que não se prepara para ser um profissional de excelência.
O que o curso de Letras faz é oferecer o ensino. A aprendizagem é resultado de um processo que depende do aluno.
        
04 – Quais são as maiores dificuldades no ensino de inglês na região onde você atua?

Como a pergunta foi “dificuldades no ensino de inglês”, vou colocar o olhar sobre os profissionais de área. Dentre as maiores dificuldades está a falta de bons professores. O que se define por bom professor é complexo na educação, mas dentro do contexto do norte do Brasil, entendo que a maior necessidade é de professores que falem bem inglês e tenham competência pedagógica.

E aí os gestores educacionais dizem “você precisa treina-los, investir para que eles atinjam a competência necessária”. Neste momento vem a segunda maior dificuldade: falta de profissionais comprometidos. Há os que procuram melhorar, mas há os que não têm o mesmo compromisso.



05 – Você resolveu estudar fora do país, por que não fazer uma pós-graduação no Brasil? Quais as vantagens e desvantagens de estudar uma pós fora? Todos dizem que o processo de revalidação do mestrado ou doutorado é difícil, o que você tem a dizer sobre isso?

Vamos por parte (risos). Estudar fora do país foi uma complementação para minha formação profissional. Ou seja, eu tive (e tenho constantemente) a chance de aprender sobre ensino de inglês dentro do Brasil. Buscar um mestrado e um doutorado na área fora do Brasil foi uma forma de ampliar minha visão sobre o que é ensinar/aprender outra língua. A perspectiva americana é bem mais multicultural e multilíngue do que a perspectiva brasileira sobre TESOL. Isto me ajudou a ver a área e contribuir para a mesma de maneira mais ampla. Além disto, obviamente a experiência cultural e acadêmica adicionam; me tornam um melhor profissional no Brasil pelo inglês que se desenvolve e o conhecimento cultural.

Sobre o processo de revalidação, realmente é bastante longo e – dependendo da instituição que revalida – bem caro, também. Passei por ele após concluir o mestrado nos EUA. Para mim, valeu a pena estudar fora por aprender métodos e fazer parte de discussões que não teria nos programas no Brasil, além de toda a experiência cultural. Por isto, decidi fazer o doutorado também. Penso que, se há a oportunidade de estudar fora em uma boa instituição, não podemos deixar que a burocracia do processo de revalidação no Brasil nos impeça de buscar outros horizontes. Minha palavra para aqueles que estão na dúvida é: a experiência vale a pena. É apenas importante que se informe e saiba como funciona o processo de revalidação para que possa haver preparação para ele.



06 - Já viveu alguma situação bastante inusitada em sala de aula? Poderia compartilhar conosco?

Sim! (risos). Todos nós temos histórias de sala de aula para contar. Em 2005 aconteceu de minha mãe decidir estudar no curso onde eu ensinava. Fez teste de nivelamento e por coincidência acabou sendo matriculada em uma turma minha de um curso intensivo, onde as aulas eram todos os dias. Eu tinha 20 anos e fiquei super constrangido de corrigi-la ou que os outros soubessem que ela era minha mãe. Chamava pelo primeiro nome e isso soava estranho. Uma vez que a chamei de “mom” na sala. Todos riram e eu tive que contar (risos).

07 - Quais os planos para a vida profissional?

Em curto prazo, tenho o objetivo de concluir o doutorado e, no trabalho, implementar os projetos acadêmicos que temos preparado com a equipe no CCBEU. Em médio prazo, gostaria de publicar mais e contribuir para a expansão acadêmica e profissional em TESOL no Brasil. Em longo prazo, penso em publicar um livro e trabalhar com pesquisa em linguística aplicada.  

08 - Como é o seu relacionamento com os outros colegas de profissão, costuma participar de encontros, congressos, workshops etc. com outros professores?

É um relacionamento muito saudável com risos e experiências compartilhadas. Somos amigos e colegas. Ou seja, estou sempre trabalhando com pessoas dentro e fora de Belém (e do Brasil) em projetos e trabalhos relacionados à área. Em Belém, ampliei os contatos profissionais quando fui presidente do Braz TESOL Chapter Belém. Hoje estou como vice-presidente e continuo o trabalho com a equipe. (Inter)nacionalmente, sempre encontro amigos e colegas em congressos, encontros, quando viajo. Mesmo em momentos sociais, sempre aprendo com eles e gosto de compartilhar as experiências da profissão. Quando um projeto termina, já estou conversando com os colegas para iniciar outro. A área se faz com colaboração. Ninguém é feliz sozinho (risos).



09 – Ensinar é uma tarefa árdua, continua e que exige um alto grau de compromisso. Já pensou em desistir da profissão e fazer algo completamente diferente? O que você não faria na sua vida profissional, caso pudesse voltar no tempo? 

Por várias vezes pensei em deixar a carreira de Letras. Cheguei a cursar Direito por um tempo, cogitei alguns concursos públicos locais, mas sempre houve alguma força maior que me envolvia mais e mais na área de ensino de inglês. No momento em que eu decidi sair da área e cursar Direito, fui aceito como professor nos EUA. Quando retornei e decidir voltar a fazer Direito, fui convidado pra direção do ensino no CCBEU. Cheguei a continuar o curso de Direito após estar na função, mas acabei imergindo totalmente na carreira e hoje não penso mais em sair.

Hoje olho para trás e percebo que tudo ocorreu como tinha que ocorrer. Não me arrependo nem dos erros. Todos me ajudaram a ser quem sou hoje. Sou apenas grato a Deus por tantas bênçãos. Lembro de tantas vezes pensar que ser professor de Letras não tem retorno financeiro nem grandes realizações na profissão. Hoje discordo totalmente deste pensamento. Quando se faz bem e com amor, tudo mais vira consequência.

10 – Qual foi o grande momento da sua vida profissional até o momento?

Acho que o grande momento da minha vida profissional está acontecendo agora. Espero ter experiências e oportunidades ainda melhores no futuro, mas neste exato momento me sinto no ápice. Houve altos e baixos, com certeza. Quando retornei para o Brasil após ter trabalhado nos EUA, estava sem emprego e sem dinheiro, pois tive muitas despesas quando retornei. Então, me senti como se estivesse retomando a vida do zero, mas em questão de meses as oportunidades foram surgindo novamente.

11 – Como é Anderson Maia professor e como foi esse mesmo Anderson aluno?

Os dois têm pontos fortes e fracos em comum. Como pontos fortes, o Anderson aluno e o Anderson professor são muito persistentes e esforçados. Quando inicio algo, procuro terminar e fazer da melhor forma possível. Como aluno, estudava inglês o tempo todo, procurava praticar com quem falava melhor e juntei dinheiro dando aula para poder ir pela primeira vez aos EUA. Como professor, sempre procurei dar boas aulas e me preparar para estar em sala; meus alunos merecem o melhor.

Como pontos fracos, os dois são ansiosos e impacientes. Quando tenho algo por acontecer, fico preocupado, procurando adiantar o que puder, e “encho” meus amigos com dúvidas e receios.

12 - Você gostaria de deixar alguma mensagem para os leitores desse blog?

Sim. Gostaria de incentivar a todos que busquem sempre mais. Nossos sonhos e aspirações podem se tornar realidade quando lutamos e priorizamos nossos objetivos. Todos podem. Todos são capazes. Não à acomodação e à mediocridade. Estas são o suicídio profissional. A vitória está dentro de nós quando colocamos nas mãos de Deus e procuramos os meios.