Poucas palavras:

Blog criado por Bruno Coriolano de Almeida Costa, professor de Língua Inglesa desde o ano de 2002. Esse espaço surgiu em 2007 com o objetivo de unir alguns estudiosos e professores desse idioma. Abordamos, de forma rápida e simples, vários aspectos da Língua Inglesa e suas culturas. Agradeço a sua visita. "Stay hungry. Stay foolish!"

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Inglês invade concursos públicos: Cresce o número de processos seletivos que exigem o idioma. Alguns cobram francês e espanhol.

RIO - A seleção pública para a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que está com inscrições abertas, pela primeira vez exige que os candidatos façam provas de inglês — o que não ocorreu nas seleções de 2005, 2006 e 2010. O concurso para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) do ano passado apresentou uma novidade. Candidatos ao cargo de analista de comércio exterior se submeteram não apenas à prova de inglês e espanhol, como puderam optar também pelo francês. Já no BNDES, que aplicou provas para mais uma seleção pública no início do mês de março, o peso da língua estrangeira vem crescendo ao longo do tempo — em 2001 as dez questões de inglês ou espanhol valiam cinco pontos no total, enquanto hoje estão valendo dez.


Ou seja, os concursos públicos finalmente acordam para a globalização. Não é só no setor privado que o domínio de outros idiomas — inglês especialmente — se torna exigência: cada vez mais órgãos de governo também cobram conhecimento de língua estrangeira. Reflexo de uma economia cada vez mais internacionalizada, dizem especialistas, embora ainda não tenha “caído a ficha” de quem se candidata.

— O inglês de conversa e de viagem não adianta para quem vai prestar uma prova de concurso. Ver filme sem legenda também não é se preparar para um concurso, apesar de muitos acharem que isso basta — destaca Mariana Lima, professora de inglês e francês do Instituto de Desenvolvimento e Estudos do Governo (Ideg), especializado em cursos preparatórios para concursos como o do Instituto Rio Branco.

Aliás, desde o segundo semestre de 2010 — após fazer as provas de inglês, francês e espanhol obrigatórias do concurso e serem aprovados para o Rio Branco — os jovens diplomatas precisam escolher entre os idiomas russo, árabe e chinês para estudar durante seu curso de formação: são, no caso, duas horas de aulas semanais para cada língua estrangeira.

— Foi uma determinação do ministro Antônio Patriota, com o objetivo de aumentar o conhecimento do diplomata sobre a cultura, a sociedade e a língua desses países e áreas emergentes — explica o coordenador-geral do Instituto Rio Branco, Márcio Rebouças.

A professora Mariana vê como natural a maior exigência nessa formação:
— Já que a exigência do nível de inglês aumentou para todos os outros funcionários, é razoável que a cobrança seja maior na área da diplomacia.

Alexandre Lopes, diretor pedagógico do Curso Maxx, explica o aumento da cobrança como consequência do momento econômico do país, que, nos últimos anos, também viu crescer o número de concursos públicos:

— Há mais concursos sendo feitos por agências reguladoras também, que têm cargos técnicos que exigem domínio de idiomas, assim como mais incidência de seleções para estatais.

Sérgio Monteiro, gerente de Educação e Treinamentos da rede CNA, acentua que, no setor público, vale a lógica da iniciativa privada:
— O domínio da língua inglesa, mais do que um diferencial, é uma exigência no mercado de trabalho, principalmente quando nós consideramos cargos mais altos dentro da hierarquia da empresa.

Apesar disso, diante da concorrência cada vez mais feroz para conquistar uma vaga no serviço público — o último concurso realizado pelo BNDES, por exemplo, recebeu 138 mil inscritos — os candidatos não dão a devida importância à língua estrangeira, afirmam os especialistas.

— Como o tempo de preparação normalmente é escasso, os candidatos enfrentam a prova com os conhecimentos que possuem ou, se tiverem dificuldade com inglês, optam pelo espanhol, quando existe essa alternativa — destaca Roberto Caparroz, professor de direito internacional das redes LFG, Praetorium e Marcato, acrescentando que um bom desempenho na prova de idioma pode, sim, fazer a diferença na hora de uma aprovação. — Fato é que matérias que não fazem parte do “núcleo central” de determinado concurso podem garantir pontos preciosos no cômputo do resultado final.

— Um estudo do vocabulário específico da área, como as expressões idiomáticas e os jargões, seria uma boa dica — destaca Richard Betts, coordenador do curso Plan Idiomas Direcionados, acrescentando que há partes do texto que se apresentam repletas de termos técnicos. — Por isso, é bom alertar, ler materiais sobre a área em questão é bem interessante.

No BNDES, há provas de inglês ou espanhol para todos os cargos. O que muda é a quantidade de questões e o peso — no nível superior são dez perguntas valendo um ponto, das quais os candidatos precisam acertar pelo menos três, enquanto no nível médio são oito questões de dois pontos (mínimo de um acerto).

— Sendo assim, os candidatos que não dominam inglês ou espanhol, ainda que não sejam eliminados, ficam em desvantagem em relação aos demais candidatos que têm conhecimento de língua estrangeira — afirma Simoni Aparecida Oliveira, gerente do Departamento de Administração de Recursos Humanos do BNDES, instituição que vem intensificando suas atividades internacionais, por meio de participação em missões externas e do recebimento de delegações estrangeiras. — Além disso, o BNDES conta com um escritório de representação em Montevidéu e com uma subsidiária em Londres, o que reforça a necessidade de o quadro de empregados ser composto por profissionais que tenham conhecimento de língua estrangeira.

E o banco, diz Simoni, investe em cursos de idiomas para funcionarios:

— De modo que os profissionais estejam aptos a atender as mais diversas demandas de trabalho tanto no Brasil, quanto no exterior.
A alternativa do ensino on-line

Mariana Lima, professora do Ideg, confirma o crescimento da exigência de falar língua estrangeira em órgãos públicos de maneira geral:

— Não só dou aula para preparação de concursos, como para pessoas que, já aprovadas, precisam aprimorar a fluência em função de seus cargos.

As aulas particulares são, aliás, um método que permite que o interessado no serviço público possa direcionar os estudos de idioma para determinados concursos. Hoje, além dos cursos tradicionais, as novas tecnologias permitem que o ensino de língua seja feito de novas formas — por meio de aplicativos, por exemplo, ou cursos on-line.

— O curso on-line pode facilitar porque, muitas vezes, quem estuda para concursos está no mercado de trabalho e tem uma limitação de tempo, e essa ferramenta de ensino propicia flexibilidade — diz Mabel Castro, gerente de projetos responsável pelo Ibeu Online, curso que será lançado na quinta-feira. — Já os aplicativos para smartphones são bons complementos e ajudam em consultas rápidas. Só que eles ainda não substituem os cursos.




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