Poucas palavras:

Blog criado por Bruno Coriolano de Almeida Costa, professor de Língua Inglesa desde 2002. Esse espaço surgiu em 2007 com o objetivo de unir alguns estudiosos e professores desse idioma. Abordamos, de forma rápida e simples, vários aspectos da Língua Inglesa e suas culturas. Agradeço a sua visita.

"Se tivesse perguntado ao cliente o que ele queria, ele teria dito: 'Um cavalo mais rápido!"

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Entrevista com o professor Cláudio Azevedo.





Voltamos das nossas férias em alto nível com essa entrevista concedida no final do ano passado pelo professor Cláudio Azevedo. Muito conhecido no meio virtual pelos trabalhos que desenvolve com seus blogs, Cláudio fala um pouco de suas experiências como docente e no mundo virtual e muitas outras coisas mais. Apreciem essa entrevista e se gostarem, curtam nossa página no Facebook. 



01.        Poderia fazer um breve resumo da sua vida acadêmica-profissional? Como você avaliaria o ensino superior na área de Letras no nosso país? Esse ensino é satisfatório ou deveria passar por adequações?

Trabalho na Casa Thomas Jefferson, Brasília, há 27 anos. Sou formado em Letras. Acho que o ensino de Letras no Brasil precisa melhorar muito. No caso do meu curso, Letras-Inglês na UnB, eu tive colegas e professores de altíssimos níveis. Porém, nos cursos de Letras-Português, percebi pessoas com níveis muito aquém do que esperado para um curso superior. Há uma necessidade muito grande de adequações, mas talvez a principal delas seja a valorização do professor da área, o que atrairia pessoas mais qualificadas a fazer Letras e ensinar nas faculdades. O ensino da Língua Estrangeira é visto por muitos como um trabalho temporário e não uma opção de vida. Por isso pessoas de outras áreas que não Letras são procuradas e desejadas em cursos de línguas. Apesar de temporários, possuem muitas vezes nível de inglês melhor que os próprios alunos de Letras.


TESOL 2012 - Movie Segments and Grammar: The Perfect Connection





02.        Como aprendeu a falar inglês? Teve ajuda de algum recurso? Qual a importância de saber falar inglês no mundo globalizado como esse em que vivemos?


Aprendi inglês onde eu ensino hoje, na Casa Thomas Jefferson.
Comecei com 12 anos de idade, formei-me nessa Instituição, fiz o Teacher Development Course, e nunca mais saí da Casa. Quando estudei inglês, uma segunda língua era um ponto a mais, um bônus inestimável. Hoje em dia não dá para procurar um bom emprego ou seguir uma carreira sem falar inglês. Falar bem, e não arranhá-lo. Inglês é simplesmente pré-requisito para uma boa carreira em qualquer área. Os recursos hoje são infindáveis, mas na minha época de aluno, o grande recurso era o professor e nossa motivação. Ou seja, ensinava-se e aprendia-se inglês antes do powerpoint e computadores.


03.        Você tem preferencia por algum método ou abordagem? Acredita que algum deles seja mais eficiente e algum menos eficiente?

Para mim, o melhor método é o melhor de cada método. Podemos fazer uso de vários aspectos das diferentes abordagens e métodos para compormos as nossas aulas. A abordagem comunicativa é muito interessante para o aluno e professor, mas acrescentar elementos de outros métodos pode ser bastante saudável. Porém, na nossa Instituição usamos a abordagem comunicativa, uma maneira de estimular a criatividade do professor ao elaborar seu plano de aula, sem engessá-lo em um determinado método.


TESOL em New Orleans 2011

04.        Quando decidiu que queria ser professor de língua inglesa?

Desde muito novo, mas minha família era contra. Achava que eu não conseguiria me sustentar na área da educação. Formei originalmente em Economia, e só depois enveredei no ensino de Língua Estrangeira. Investi na área e nunca deixei de dar aulas. Adoro o que faço.


05.        Já pensou, em algum momento, em desistir da carreira de professor e fazer outra coisa completamente diferente?

Algumas vezes. Nossa profissão é desgastante, cansativa mesmo. Mas é muito gratificante também. Acho que não faria nada tão bem como dar aulas e desenvolver materiais pedagógicos para o ensino.


06.        Como você avalia o ensino de Línguas Estrangeiras no Brasil?

Lausanne, Suiça
Acho que os professores de inglês são a categoria de professores mais organizada no Brasil. Há dezenas de seminários e convenções que ajudam muito a qualificação destes profissionais. Existem algumas boas escolas de inglês no Brasil, mas infelizmente, a maioria promete o que não pode cumprir, como curso completo em 1 ano, ou 1 ano e meio. Isso compromete a nossa credibilidade. Claro que se ensina inglês em 1 ano, ou 1 ano e meio, mas logicamente não é o curso completo. Outro problema é a rotatividade dos professores de inglês. É difícil mantê-los por muito tempo nas nossas escolas, mesmo por que muitos veem o ensino de inglês como uma coisa temporária, um bico. Isso compromete a qualidade do ensino significativamente.

07.        Você tem dois blogs sensacionais, um voltado para a parte estrutural da língua – gramatica, e o outro focando em atividades com vídeos, filmes. Como surgiram as ideias para a criação de cada blog?

Eu sempre fiz este tipo de atividade ao longo da minha vida profissional. O que aconteceu é que a tecnologia atual me permitiu compartilhar o que faço com o mundo. Isso é genial. Hoje assisto a filmes com olhos voltados ao meu blog, levo post-its ao cinema e anoto a cena que pode ser útil. Agora é um caminho sem volta. Meus leitores são exigentes e cobram novas atividades e dão sugestões que não posso descartar. Mas a criação dos blogs foi um dever de casa. Ao aprender como se faz um blog, meu professor passou como dever de casa a criação de um blog. Logo, peguei todas as minhas atividades e coloquei nos blogs. Ou seja, foi uma coisa inesperada, mas o resultado foi estupendo. Agradeço ao meu professor por ter me ensinado o básico sobre blogs, wikis, etc. Mas foi preciso ir à luta e botar tudo que aprendi em prática.

08.        Qual a importância do uso dos recursos tecnológicos para o ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira?


Fundamental. O mundo hoje é muito diferente. As crianças e jovens veem na tecnologia um atrativo que faz parte do seu dia a dia. Não incluir recursos tecnológicos nas aulas é um tiro no pé. Porém, como se usa o recurso tecnológico é que realmente faz a diferença. Não adianta ter muitos recursos e a aula continuar chata. Nada como um bom professor para aperfeiçoar estes recursos e fazer da sua presença um elemento crucial para uma boa aula.

09.        Além de inglês, você fala outros idiomas? Usou técnicas similares em todos ou cada um foi estudado (aprendido) de forma diferente?

Falo espanhol, francês e português, é claro. Entendo e me comunico em italiano também, mas muito pouco. Aprendi o básico, mas o suficiente para minhas viagens. Aprendi em cursos de língua, como aprendi inglês.

10.        Já viveu alguma situação inusitada durante todos esses anos de ensino?

Situações inusitadas acontecem sempre, independentemente do seu tempo de experiência. Mas a mais inusitada de todas foi dar aulas para iniciantes em inglês que tiveram muita pouca formação formal em suas línguas maternas, junto com alunos com enorme facilidade para o aprendizado. Como ensinar o alfabeto, soletração, conceitos gramaticais, se essas pessoas não o sabem em português? Foi um grande desafio, mas o meu sucesso foi bem questionável.


TEFL - SP July 2011



11.        Quais seriam os principais problemas encontrados por um profissional de idiomas na região onde você atua?


Conseguir treinamento continuado, uma carga horaria cheia que o permita sobreviver sem precisar trabalhar em varias escolas ou ter outros empregos.


12.        O que se esperar de um professor e um aluno de idiomas? Quais deveriam ser os papeis de ambos?


Comprometimento. O professor e aluno comprometido, motivado, antenado com o mundo é uma fórmula de sucesso. Ambos precisam usar recursos tecnológicos, mas não o fazem como deveriam. O aluno usa a tecnologia no seu dia a dia, mas reluta em utilizá-lo para estudar em casa. O professor também domina estes recursos, mas tem pouco conhecimento teórico que o ajude a dosar e aplicar o que sabe eficazmente. Aos mais antigos e experientes falta a compreensão que o mundo muda rapidamente e que o que funcionava há pouco tempo atrás não funciona mais hoje em dia. É preciso atualizar-se sempre e gostar do que faz.



13.        Obrigado pela atenção e por ter compartilhado um pouco da sua vivencia no ensino de idiomas com vários profissionais da área (muitos professores me escrevem dizendo que leem todas as entrevistas). Você deixaria alguma mensagem para professores e estudantes de língua inglesa?

O importante na nossa profissão é trabalhar com amor. É preparar aulas com os nossos alunos em mente. Agradá-los, mas provendo conteúdo significativo. É preciso investir sempre em qualificação. Não deixe de ir a convenções nacionais e internacionais como o TESOL, BRAZ-TESOL, CTJ Seminar, participar de webinars, enfim, continuar crescendo. Compartilhe o que você faz. Isto só traz dividendos ao professor. Vejo, por exemplo, o que compartilhar minhas atividades nos meus blogs, totalmente gratuitos, pode me trazer em retorno. Não devemos só usufruir o que a internet nos oferece, mas sim compartilharmos também o que fazemos de melhor, mesmo que seja com o colega que está próximo. Não desanime. Nossa profissão é cansativa e demanda muito da gente, mas é também uma das mais prazerosas que há.


Um comentário:

Carina Fragozo disse...

Sou uma grande fã do Cláudio, e já usei diversas atividades de seus blogs. Percebi que partilhamos o mesmo ponto de vista em diversos aspectos com essa entrevista.
Adorei.

Carina
teachercarinafragozo.blogspot.com (English in Brazil)