Poucas palavras:

Blog criado por Bruno Coriolano de Almeida Costa, professor de Língua Inglesa desde 2002. Esse espaço surgiu em 2007 com o objetivo de unir alguns estudiosos e professores desse idioma. Abordamos, de forma rápida e simples, vários aspectos da Língua Inglesa e suas culturas. Agradeço a sua visita.

"Se tivesse perguntado ao cliente o que ele queria, ele teria dito: 'Um cavalo mais rápido!"

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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

III Encontro “E por falar em tradução”




O Encontro acontecerá nos dias 01,02 e 03 de outubro no IEL – UNICAMP, Campinas.




Confira a programação, que está interessante e reúne as diversas áreas de tradução, com mesas redondas e oficinas.
Para mais detalhes, acesse:

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Algumas provas de concursos para tradutores e interpretes comerciais.



Para as minhas próximas aulas da disciplina de Tradução I (disciplina optativa de carga-horária de 30 horas) na Universidade, decidi levar algumas questões de concursos para tradutores e interpretes para que os alunos possam tentar respondê-las e analisá-las.

Embora na maioria das vezes as provas consistam de uma prova escrita e uma prova oral, caso de provas para tradutor juramentado, como citou Fábio M. Said, na revista TRADUÇÃO & LINGUAGEM (edição especial da Revista Portuguesa), elas parecem variar muito de instituição para instituição. Geralmente tais provas sempre apresentam o mesmo padrão: fazer traduções do português para o idioma estrangeiro (chamada de “versão”) e outra do idioma estrangeiro para o português.

Aproveito a ocasião para falar algumas curiosidades sobre os tradutores, mais especificamente sobre os mitos mais comuns sobre a tradução juramentada.  

·         Tradutor público é não é, ao contrário do que muita gente pensa, funcionário público;
·         Tradutor público não tem clientela garantida;
·         Tradutor público não traduz apenas documentos jurídicos;
·         E nem todo tradutor público é formado em Direito. Para falar a verdade, nem existe uma regulamentação sobre a profissão;
·         Tradutor público não é nomeado pelo consulado do país estrangeiro; ele faz concurso público para, digamos, receber a denominação de Tradutor Público e Intérprete Comercial (TPIC).  

Essa foi questão de concurso para tradutor-interprete da Universidade Federal de Santa Maria, em 2012.

A seguir, marque a alternativa que contém a versão correta.


“A professora Kate James é inglesa e obteve sua graduação em francês e russo na Faculdade de Estudos Europeus em Londres. Desde então ela vive na França onde ela ensina Inglês como Língua Estrangeira e Tradução”.
(James, K. Translation Journal. 2002).


a.           Ms. Kate James is English and has obtained her degree in French and Russian at the School of European Studies in London. Since then, she lives in France where she teaches English as a Foreign Language and Translation.
b.           The teacher Kate James is English and has obtained his graduation in French and Russian in the Faculty of European Studies in London. Since then, she lives in France where she teaches English as a foreign language and translation.
c.            Professor Kate James is English and obtains his graduation in French and Russian at the School of European Studies. Now lives in France where she teaches English as a Foreign Language and Translation.
d.           Kate James is a Russian teacher who teaches English as a Foreign Language and Translation at the School of European Studies in London.
e.            Ms. Kate James is an English high school teacher in Russia where she teaches French and Translation.


Questão da prova de tradutor-interprete/inglês da UFRPE de 2012

Which of the following alternative translations of the text below is the correct one?

Texto T3

Se Dante acrescentasse mais um círculo aos nove que colocou no inferno de sua Divina Comédia, ele seria reservado às
estatísticas oficiais.
(J.R. Guzzo. Revista Veja, 11 de abril de 2012.)


A) If Dante added one more circle to the nine he presented in the hell of his Divine Comedy, it would be reserved for official statistics.
B) If Dante could add one more circle to the nine ones he put in the hell of his Divine Comedy, it would be reserved to official statistics.
C) If Dante adds one more circle to the nine he presented in the hell of his Divine Comedy, it will be reserved for official statistics.
D) If Dante had added another circle to the nine he presented in the hell of his Divine Comedy, it would have been reserved to the official statistics.
E) If Dante could have added another circle to the nine he put in hell of his Divine Comedy, it would have been reserved for official statistics.


Vou deixar os leitores do blog tentando encontrar a resposta correta para cada uma delas.

Já no concurso para TRADUTOR-INTERPRETE DA JUNTA COMERCIAL DO RIO DE JANEIRO, uma das questões para fazer era a versão do texto que segue abaixo, (além de uma tradução de um texto em inglês para o português):

TEXTO PARA VERSÃO

Gente

De repente, escolhemos a vida de alguém. Era essa que a gente queria. Naquela casa grande e branca, na rua quieta, na cidade pequena. Sim, estamos trocando tudo. Era ela que a gente queria ser, aquela serenidade atrás dos olhos claros, aquela bondade que se estende aos bichos e às coisas, tão simplesmente. E aquela mansa alegria de viver, aquele risonho voto de confiança na vida, aquela promissória em branco contra o futuro, descontada cada dia, miudamente, a plantar flores, a brunir a casa, a aconchegar os bichos.

Era naquele porto que a gente gostaria de colher as velas, trocar a ansiedade, a inquietação, a angústia latente e sem remédio, o medo múltiplo e cósmico, todas as interrogações, por aquela paz. Acordar de manhã, depois de dormir de noite, achando que vale a pena, que paga, que compensa botar dois pés entusiasmados no chão. Abrir as bandeiras das venezianas para que o sol entre, com o gesto de quem abre o coração. Qual é o hormônio, e destilado por que glândula, que dá a uma mulher o gosto de engomar, tão alvamente, a sua toalha bordada para a bandeja do café? Há uma batalha bem ganha, cotidianamente renovada, contra o pó e a traça e a ferrugem, que tudo consomem. Dentro dos muros da sua cidadela, as flores viçam, a poeira foge, nada vence o alvo imaculado das cortinas, os cães vadios acham lar e dono. E é esse um modo singelo mais difícil de ter fé. Cada bibelô tem uma história, diante de cada retrato há um vaso de flor, para cada bicho há um gesto de carinho.

“Mulher virtuosa, quem a achará? Porque o seu valor excede ao de muitos rubis” —cansei eu de ouvir, na escola dominical, e olho em torno a indagar quantos e que orientais rubis pagarão aquele miúdo, enternecido carinho, que pôs flores nos vasos e cera no chão e transparência nos vidros e ouro líquido no chá. Oh, a perdida paz fazendeira deste chá no meio da tarde, que as mulheres do meu tempo já não sabem o que seja, misturado a este morno cheiro de bolo e torradas que vem da cozinha! Somos uma geração que come de pé, que trocou os doces ritos que cercavam o nobre ato de alimentar-se, por uma apressada ingestão de calorias.

Já não comemos, abastecemo-nos como um veículo, como um automóvel encostado à sua bomba. Trocamos as velhas salas de jantar por mesas de abas, que se improvisam, às pressas, de um consolo exíguo encostado a uma parede. E o que sabe de um lar uma criança que não foi chamada, na doçura da tarde, do fundo de um quintal, para interromper as correrias, lavar mal-e-mal as mãos e vir sentar-se à mesa posta para o lanche, com mansas senhoras gordas que vieram visitar a mamãe? É a hora dos quitutes, das ingênuas vaidades doceiras, da exibição das velhas receitas, copiadas em letra bonita...


(LESSA, Elsie. Gente IN: SANTOS, Joaquim Ferreira dos (org.)
As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007, p. 157-158.)


Gostaria de deixar claro que essa postagem resume demais as informações sobre TRADUTORES E INTÉRPRETES e, portanto, não deve ser utilizada como referência no assunto. Trata-se de um blog que apenas aborda o assunto de forma bem superficial e, nesse caso, estamos postando partes de algumas provas de tal área.

Obrigado pela leitura. Curta nosso blog e/ou deixa uma sugestão ou alguma mensagem ou sinal de fumaça... boa tarde! 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Sobre o ofício do tradutor.






Traduzir não é fácil. Quem diz isso não sou eu, mas um dos mais experientes tradutores brasileiros: Paulo Henriques de Britto (tradutor de Dickens, Ian McEwan, Henry James, Philip Roth, Swift, Faulkner, etc.). Portanto, a fim de desfazer a ideia equivocada de que basta saber uma segunda língua e ter algum tempo livre para se tornar um tradutor, recomendo, inicialmente, a leitura de três livros relativos ao ofício:


1.           Paulo Henriques Britto, A Tradução Literária. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2012. (obra da qual tirei a citação que abre este texto)
2.           Paulo Rónai, Escola de Tradutores. Rio de Janeiro, José Olympio, 2012. (edições anteriores da Nova Fronteira)
3.           Paulo Rónai, A Tradução Vivida. Rio de Janeiro, José Olympio, 2012. (edições anteriores da Nova Fronteira)


Esses três livros são de caráter introdutório e têm como principal virtude o fato de terem sido escritos por tradutores de verdade, não meros teóricos. Praticamente tudo o que dizem está enraizado em sua experiência e em sua erudição. Os livros do Rónai impressionam pela leveza, pela fluidez da linguagem, pela clareza da exposição, sobretudo quando se leva em conta o fato de o autor ser um húngaro que aprendeu português já depois de adulto. São verdadeiros clássicos dos estudos de tradução em língua portuguesa, pioneiros neste campo de estudos no Brasil. O livro do Paulo Henriques de Britto acabou de ser lançado, o que significa já ser uma obra da maturidade, em que se somam suas experiências de escritor, poeta, tradutor e professor de teoria da tradução. Esses livros já são suficientes para desfazer a ideia de que basta conhecer outra língua para se pôr a traduzir.


Além destes, para que cada etapa do processo tradutório seja feito de modo consciente, é igualmente recomendável a leitura de:
4. Brenno Silveira, A Arte de Traduzir. São Paulo, Unesp/Melhoramentos, 2004.

Este livro pode ser considerado um verdadeiro manual preventivo de problemas. Phrasal verbs, falsos cognatos, expressões idiomáticas, tudo isso é abordado de modo a chamar a atenção para o que requer atenção!


Se, por acaso, você tomar gosto pela discussão mais teórica, vale a pena ler:

5. Umberto Eco, Quase a Mesma Coisa. Rio de Janeiro/São Paulo, Record, 2007.
Umberto Eco é semioticista (que não deixa de ser uma espécie de linguista), tradutor e autor traduzido. E todas essas perspectivas se mostram nessa obra.

***

Para além de conhecer a língua estrangeira, é imprescindível um domínio da língua portuguesa. E domínio implica não só a capacidade de utilizar a língua com eficiência, mas também a capacidade de analisar suas estruturas fonéticas, morfológicas, sintáticas e semânticas; compreender seus mecanismos de funcionamento, seu potencial expressivo, etc. Isso, (in)felizmente, requer trabalho e requer estudo. Cito outros três livros, muito úteis para compreender a que me refiro:

6. Othon Moacyr Garcia, Comunicação em Prosa Moderna. São Paulo, FGV, 2010. (várias edições anteriores)


7. Gladstone Chaves de Melo, Ensaio de Estilística da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Livraria Editora Padrão, 1976. (Esgotado, encontrável apenas em sebos. Mesmo se for caro, vale o quanto custa!)


8. Adriano da Gama Kury, Novas Lições de Análise Sintática. São Paulo, Ática, 2003.

Os três são livros de estudo que requerem certa perseverança e prática. O do Kury e o do Othon Garcia têm exercícios de fixação. Não desdenhem do livro de análise sintática; para quem almeja ser tradutor saber sintaxe é ter em mãos uma ferramenta de trabalho.


Quanto às obras de referência, dou toda ênfase a:

9. Agenor Soares dos Santos, Guia Prático da Tradução Inglesa. São Paulo, Elsevier, 2007.

Apesar do título, trata-se de um dicionário dedicado a falsos cognatos e outras armadilhas da língua inglesa. Ao final, dou uma lista de obras complementares que podem ser igualmente úteis.

***


Antonio Fernando Borges escreveu um livro chamado Não Perca a Prosa, que contém lições preciosas. Entre outras, num de seus exercícios ele nos manda escolher determinados autores e imitá-los. Ele sugere, por exemplo, que se leia uma série de crônicas de Nélson Rodrigues e depois se escreva uma crônica imitando o Nélson. Ler e imitar, ler e imitar. Vários autores. Ao final, este exercício acabará por nos tornar leitores mais atentos, de modo a perceber certas constâncias de estilo nos autores que lemos. Menciono tudo isso porque:


Para praticarpodemos imitar o estilo de um autor que escreve na nossa própria língua como exercício escolar;


Ao traduzirdevemos imitar o estilo de um autor que escreve numa língua diferente da nossa como dever de ofício.


É claro, nessa fase da imitação, é bom que se escolham livros de diferentes gêneros e, principalmente, que se leiam livros de autores brasileiros e obras traduzidas. Um exercício curiosíssimo, por exemplo, é ler Alice no País das Maravilhas, no original e nas diferentes edições brasileiras (Cosac, Zahar), para ver como certos problemas foram resolvidos. Minha maior recomendação é que, durante algum tempo, haja dedicação aos aspectos formais do texto (escolha lexical, construções sintáticas...), até que se saiba bem, por exemplo, quando cabe uma subordinada concessiva e quando cabe uma adversativa (o Othon exemplifica bem a diferença). Ao lidar com textos, descobrimos a utilidade daquelas aulas de análise sintática que às vezes nos entediavam. Identificar a oração principal e as subordinadas passa a ser tão importante quanto apreender o conteúdo do que está sendo dito. Mais do que isso: em muitos casos, é condição para apreender o que está sendo dito. E, com isso, chego ao último ponto que julgo recomendável: estude latim. Uma vez que, em latim, as funções sintáticas são marcadas morfologicamente e a ordem das palavras é mais ou menos livre, é imprescindível que se faça análise sintática de cada sentença, sem o que simplesmente não se pode compreender o que está sendo dito. Ora, este é o treinamento perfeito para a aquisição do hábito de analisar sintaticamente os textos no mesmo ato em que se lê. Fácil não é; mas é possível.



Bibliografia sugerida

Obras de estudo

Antonio Albalat, A Arte de Escrever em 20 lições. (Só se encontra em sebos!)
Idem, A Formação do Estilo pela Assimilação dos Autores. (Idem – são livros velhos e preciosos. Affonso Romano de Santana disse que foram estes livros do Albalat que fizeram dele um escritor!)
Francine Prose, Para Ler como um Escritor. Trad. Maria Luiza Borges. Rio de Janeiro, Zahar, 2008.
Rodrigues Lapa, Estilística da Língua Portuguesa. São Paulo, Martins Editora, 1998.

Obras de referência

Domingos Paschoal Cegalla, Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Lexikon, 2009.
Antonio Geraldo da Cunha, Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Lexikon, 2010.
Francisco Ferreira dos Santos Azevedo, Dicionário Analógico da Língua Portuguesa – Ideias Afins. Rio de Janeiro, Lexikon, 2010.
Fancisco Fernandes, Dicionário de Sinônimos e Antônimos da Língua Portuguesa. Edição revista e ampliada por Celso Pedro Luft. São Paulo, Globo, 2002.
Antonio Carlos do Amaral Azevedo, Dicionário de Nomes, Termos e Conceitos Históricos. Rio de Janeiro, Lexikon, 2012.
Celso Pedro Luft, Dicionário Prático de Regência Nominal. São Paulo, Ática, 2009.
Celso Pedro Luft, Dicionário Prático de Regência Verbal. São Paulo, Ática, 2009.
Denis Huisman, Dicionário dos Filósofos. São Paulo, Martins Fontes, 2001.
Nicola Abbagnano, Dicionário de Filosofia. São Paulo, WWF Martins Fontes, 2012.
J. Ferrater Mora, Dicionário de Filosofia, 4 vols. São Paulo, Edições Loyola, 2001.



Postado em ESBOÇOS, RASCUNHOS E ENSAIOS (link). Publicado em 08 de Abril de 2013. 



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O ENSINO DA TRADUÇÃO.

www.parloitalianoetu.com




A teoria sugere e a prática demonstra que não basta o conhecimento razoável, nem mesmo o perfeito domínio, de qualquer língua estrangeira, para fazer um bom tradutor: o grande número de traduções de má qualidade, cheias de erros grosseiros, que o leitor já deve ter observado tantas vezes nas traduções de filmes para a televisão, principalmente, é uma prova inequívoca disso.
Famoso é o caso daquele filme de televisão em que a polícia invade a residência de um dos implicados na trama criminosa, e um dos policiais abre com fúria uma porta que estava fechada; então o chefe da patrulha pergunta se havia alguém lá dentro, e o policial responde: “Pessoa!” (Era um filme francês, e o policial teria respondido, no original, “personne” — que se pode traduzir como “pessoa”, literalmente, mas no caso a tradução correta seria “ninguém”...)  
É verdade que as traduções de filmes para televisão não costumam dar os nomes dos tradutores responsáveis por tais e tantos atentados contra a língua e contra o próprio bom-senso; o que se ouve dizer, em geral, é que se trata de uma “versão brasileira” de tal ou qual laboratório cinematográfico especializado. Esse anonimato acoberta, por um lado, os maus tradutores; e, por outro lado, permite a esses “laboratórios” e empre­sas afins, usuários do trabalho de tradutores despreparados, pagar-lhes muito menos do que teriam de pagar a profissionais conscientes da tradução. E assim presta-se, através do mais popular dos veículos de comunicação de massa, um lastimável desserviço à causa da tradução e dos bons tradutores.
Para evitar que as traduções continuem a ser malfeitas e mal remuneradas é que existem, em número cada vez maior, as escolas de tradução e as asso­ciações de tradutores.
Na França, a E.S.I.T. (Escola Superior de Intérpretes e Tradutores) que pertence à Universidade da Sorbonne, em Paris, traçou para os seus formandos em tradução um currículo que inclui o estudo de três línguas obrigatórias, sendo a primeira delas a língua pátria, e duas línguas estrangeiras; e conhecimentos gerais, sem os quais não há tradutor que preste.
Não se traduz afinal de uma língua para outra, e sim de uma cultura para outra; a tradução requer assim, do tradutor qualificado, um repositório de conhecimentos gerais, de cultura geral, que cada profissional irá aos poucos ampliando e aperfeiçoando de acordo com os interesses do setor a que se destine o seu trabalho.
Dentro do estudo de cada uma das línguas, a nacional e as estrangeiras, o estudante de tradução é iniciado no domínio de técnicas especiais, e de alguns recursos dos quais poderá valer-se no exer­cício da sua profissão, complementando assim o conhecimento teórico com a experiência prática indispensável. Mesmo porque, como se diz, tradu­ção se aprende traduzindo.
Findo o seu curso, em geral de três anos, o aluno aprovado recebe da E.S.T. um diploma de tradutor, que faz dele um trabalhador qualificado em nível universitário.
Em muitos lugares onde a tradução é hoje estudada a sério, em cursos que apresentam currí­culos especializados, a mais moderna tendência é a de substituir-se a tradução dita “geral”, que muitas vezes parte da tradução de textos literários — justamente os mais difíceis de traduzir — pela tradução de textos “pragmáticos”, como os deno­mina o francês Jean Delisle: textos nos quais o conteúdo é mais importante que a forma. E tam­bém se tem observado o esforço dos que ensinam, no sentido de fazer sentir, aos que aprendem, a distância que vai da tradução “escolar”, por assim dizer, à tradução profissional.   
Essa divisão dos textos originais, em tipos nos quais o conteúdo é mais importante e tipos nos quais mais importante é o aspecto formal, vem ocupando e preocupando estudiosos e pesquisadores em vários países.
No Brasil existem cursos de tradução, em nível universitário, na Universidade de Brasília, como já foi dito, e mais: nas Pontifícias Universidades Católicas do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, na Universidade do Estado de São Paulo (em mais de um dos seus campi), e em algumas instituições particulares de ensino superior. Na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro ensinou-se, durante algum tempo, a disciplina “Técnicas de Tradução”, como parte do currículo do curso de Editoração, atualmente desativado.

Uma das questões que no Brasil certamente atrapalham a criação e a manutenção de cursos de tradução é a falta de reconhecimento oficial da profissão de tradutor: sem esse estatuto profissional, a formação universitária de tradutores destina-se a formar profissionais de nada, por assim dizer. E a falta de reconhecimento da qualificação desses profissionais redunda por sua vez em aviltamento do mercado de trabalho, beneficiando os usuários do produto dos tradutores, apesar de todos os esforços que vem realizando, desde sua fundação há cerca de dez anos, a Associação de Tradutores do Brasil (ABRATES).   


Baseado no livro O QUE É TRADUÇÃO de Geir Campos.

Editora Brasiliense S.A.
R. General Jardim, 160
01223 — São Paulo — SP
Fone (011) 231 1422

domingo, 5 de agosto de 2012

I Encontro de Tradução em Pernambuco.





O Encontro de Tradução em Pernambuco é um evento que busca incentivar as relações entre os tradutores, intérpretes e professores de idiomas do estado de Pernambuco. 


Este encontro proporciona também a união da classe de tradutores (público e não-público), pois é necessário haver uma organização no que diz respeito a tais profissionais.


Evento de idealização do Tradutor, Intérprete e Professor do idioma Alemão, Rodrigo Farias de Araújo, o ETP surgiu a partir de suas pretensões em aprender mais acerca do mercado da tradução em seu estado (Pernambuco). E a maneira mais simples e que acomodaria todos os tradutores já atuantes e os novatos, seria a aproximação de todos os interessados.


A primeira edição do evento [como na imagem] aconteceu aos 15 de outubro/2011 na Faculdade Esuda. Para o ano de 2012, são aguardadas muitas novidades. Em especial um dia ligado somente ao surdo e os assuntos que circundam esta comunidade.


Nos próximos anos haverá uma grande demanda em busca de serviços como tradução, interpretação, ensino de idiomas, consultoria linguística entre outros. Assim sendo, vê-se como necessária a execução desta reunião de profissionais e amadores da área que propõe além da aproximação dos tradutores, professores e atuantes dos idiomas em geral, a contínua existência de movimentos que buscam solidificar e estruturar a ordem destes profissionais.


Esta 2ª edição do “Encontro de Tradução em Pernambuco” busca aprofundar os conhecimentos adquiridos neste 1ª ano de atuação na área da tradução e interpretação. Sua 1ª edição, no Recife, contou com temas iniciais ligados à mesma área. Temáticas relacionadas à introdução à prática da tradução, ao ensino da tradução na Universidade, ao papel das agências de tradução frente aos prestadores de serviço, à tradução pública, à interpretação e ao mercado em si. 


Além dos assuntos vistos no ano passado, este encontro, que é uma reunião de profissionais da área, amadores, estudantes e interessados na temática “Tradução e Interpretação”, haverá desta vez assuntos relacionados à Surdez e cegueira, e tudo que diz respeito aos idiomas e à tradução.


Tanto agora, como anteriormente, a ideia central deste evento é levar ao conhecimento geral – seja ele conhecedor ou não do assunto – temas atuais ligados à tradução e interpretação. Mostrando, desta forma, como o mercado está bem aquecido em nosso estado.


O encontro de tradução em Pernambuco é voltado para jovens e futuros tradutores, estudantes de diversos cursos (relações internacionais, direito, letras, pedagogia, ciências políticas, tradução e afins). Todos são bem-vindos. 


O escopo é, sem sombra de dúvidas, levantar discussões e mostrar ao público presente quão importante é este profissional para o novo ciclo mercantil pernambucano. Objetiva mostrar o profissional, levantar discussões, planejar o futuro e agregar tudo isto num meio social mais amplo, a exemplo duma Associação de Tradutores.
Sendo assim o convite estende-se para todo o público interessado.


As datas previstas para a 2ª edição são 3,4,5 de Outubro. 


Haverá palestras, oficinas e mesas-redondas abordando a praticidade da tradução e interpretação. Com assuntos como “Cat tools”, “Localização”, “Interpretação simultânea”, “Associação dos tradutores”, “Ensino bilíngue para surdos”, “Audiodescrição”, “Oficinas da Libras, Braille”.


Atrelado a isto, teremos venda de jogos, livros sobre tradução, sorteios diversos (inclusive do livro "Fidus Interpres: A prática da tradução profissional"). Tudo isto numa atmosfera extrovertida. O Grupo Tibra (Tradutores e Intérpretes do Brasil) grupo que idealizou e organiza este evento nasceu desta proximidade e necessidade de aprendizado. Ou seja, nestes dias será possível aprender muito e ainda interagir com os palestrantes. 


Para que todos possam conhecer os escritos que dão iniciação à área e também conheçam livrarias e empresas que facilitam a publicação de livros, teremos a participação de algumas livrarias e venda de livros. 


Este ano gostaria de colocar mais assuntos e abordar algo que ajudasse ainda mais a comunidade surda e cega.


Após isto, gostaria neste ano de inovar tendo a presença de palestrantes versando sobre o ensino bilíngue nas escolas, intérpretes da LIBRAS e muitas questões pertinentes que bem já conheço. Mas, que vejo como muito boas de serem levadas ao público presente.


A ideia de incluir LIBRAS nesta II edição é por justamente ver como necessário e por não ver o porquê do distanciamento entre a comunidade de tradutores e intérpretes orais e a comunidade de intérpretes de LIBRAS e os próprios surdos.


Digo isto, pois um dos motivos que me levou a querer incluir e a pensar na LIBRAS como tema (1 dia inteiro dedicado à venda de jogos, oficinas, palestras, debates, presença de representantes do Estado de Rondônia ("Projeto Libras é 10") foi a necessidade de aproximação entre os dois mundos.


Primeiro, porque há um projeto nacional intitulado "legenda nacional" (soube que seu início é da autoria de Marcelo que trabalha no SEAD em Pernambuco) e que quem faz tanto a legenda, quanto audiodescrição (no caso do cego) são intérpretes, atores, tradutores...ou seja, tudo numa área (tradução);


Após isto, o projeto que implementou a LIBRAS fez 10 anos (dia 24/04). E já fui me interessando por querer aprender mais e mais.


Diferente da primeira edição, onde eu estava ingressando neste mercado da tradução (faço traduções e interpretações do Alemão para o Português) o evento que realizamos (de organização de alguns integrantes do TIBRA) ele simplesmente foi uma introdução para todos, inclusive para mim. 


Eu estava querendo aprender, conhecer o mercado, ver empresas instaladas aqui, aprender técnicas e tudo o mais.


Nós do Grupo TIBRA convidamos todos a participarem deste evento que reúne experientes e novos nomes do mercado. 


____+++_____+++____
PS: Em breve maiores informações da Segunda Edição em Pernambuco!

TEXTO: Rodrigo Farias de Araújo. 

sábado, 26 de maio de 2012

"XVII Oficina de Técnicas de Interpretação Simultânea".



"XVII Oficina de Técnicas de Interpretação Simultânea"
29/06/2012 a 01/07/2012
Recife Praia Hotel - Recife - PE
Objetivo

O objetivo desta oficina é proporcionar um treinamento teórico/prático intensivo das técnicas de interpretação simultânea (popularmente conhecida como “tradução simultânea”), com ênfase na conscientização do participante para os aspectos psicofísicos envolvidos no processo multidisciplinar dessa atividade profissional.

domingo, 6 de maio de 2012

Bibliografia sobre tradução.


Existe no Brasil vastíssima produção bibliográfica, nacional e traduzida, sobre aspectos teóricos, práticos, técnicos, historiográficos sobre tradução. Começo aqui um levantamento despretensioso, que pode trazer alguma contribuição aos interessados. Milhares de artigos não estão aqui citados, porque se encontram publicados em revistas especializadas, especificadas abaixo. A cor em destaque indica o link para a obra disponível para consulta online e download, bastando clicar ali para ter o acesso.









REVISTAS ESPECIALIZADAS


Cadernos de Literatura em Tradução, CITRAT/USP (2000-)
Cadernos de Tradução, UFRGS (1998-)
Cadernos de Tradução, PGET/UFSC (1996-)
Graphos (11, número temático: "Dossiê Cultura e Tradução: abordagens e perspectivas teórico-críticas"), UFPB, 2010.
In-Traduções, PGET/UFSC(2009-)
Ipotesi (13, número temático: "O Brasil e seus tradutores"). UFJF, 2009.
Letras (8, número temático: Tradução), UFSM
Letras (artigos avulsos sobre tradução entre 1966 e 2010), UFPR
PROFT em Revista (2011-)
Rascunho, seção Translato, Eduardo Ferreira (2010-) (de 2004 a 2009, aqui)
Remate de Males (v. 4, número temático: "Território da tradução"). UNICAMP, 1984.
Revista Brasileira de Literatura Comparada (19, número temático: "Poesia e tradução: relações em questão"), ABRALIC, 2011.
Revista de Letras (49, número temático sobre "Tradução"). UNESP, 2009.
Revista Horizontes de Linguística Aplicada (8, número temático: "Tradução no ensino de línguas). UnB, 2009.
Tradução em Revista, PUC-Rio (2004-)
Translatio, UFRGS (2011-)

ANAIS


Primeiro Encontro Nacional de Tradutores. PUC-Rio, 1975.
Anais do II Encontro Nacional de Tradutores. PUC-Rio, 1985.
Anais do 3o. Encontro Nacional de Tradutores. UFRGS, 1989.
Anais do V Encontro Nacional de Tradutores, org. John Milton, Mário Laranjeira e Francis Henrik Aubert. Humanitas Publicações, 1996.
Anais do VI Encontro Nacional de Tradutores, org. John Milton e Francis Henrik Aubert, Integração via tradução. UFC/Humanitas, 1998.
Anais do VII Encontro Nacional de Tradutores/ I Encontro Internacional de Tradutores. CITRAT/ ABRAPT/ USP
Anais do Simpósio Profissão Tradutor 2010, PROFT em Revista, 2011.

GUIAS E MATERIAIS PRÁTICOS DE TRADUÇÃO
Agenor Soares dos Santos, Guia prático de tradução inglesa. Cultrix, 1981
Augusto Rainha, A tradução e a versão francesas. Francisco Alves, 1957.
BTS, Glossários.
Isa Mara Lando, Mini VocabuLando: 500 palavras úteis para leitura e tradução em inglês. Disal, 2009.
Isa Mara Lando, VocabuLando: Dicionário prático inglês-português. Disal, 2006.
José Lodeiro, Tradução dos textos latinos. Globo, 1968.
José Carlos Moreira Alves, Os problemas da tradução do latim do direito para o português. Edifieo, 2001.
Lourenço Torres da Silva, Método moderno para a tradução do latim. Labor omnia vincit, 1954.
Maria Genny Caturegli, Gastronomia de A a Z. Aleph, 2011.
Mario Mascherpe e Laura Zamarin, Os falsos cognatos na tradução do inglês para o português. Bertrand Brasil, 2002.
Myrian Thalita Lins, Guia prático de tradução: técnicas de tradução aplicadas ao livro evangélico. Betânia, 2004.
Paulo Rónai, Guia prático da tradução francesa. Difel, 1967.
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ENTREVISTAS, DEPOIMENTOS, CORRESPONDÊNCIAS



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João Guimarães Rosa, J. Guimarães Rosa: Correspondência com seu tradutor alemão Curt Meyer-Clason (1958-1967). Nova Fronteira/ABL/UFMG, 2003.
João Guimarães Rosa, J. Guimarães Rosa: Correspondência com seu tradutor italiano Edoardo Bizzari. Nova Fronteira, 2003.
Geraldo de Holanda Cavalcanti, Memórias de um tradutor de poesia. NUT/Escritório do Livro, 2006.
Ivone Benedetti e Adail Sobral, Conversas com tradutores: balanços e perspectivas da tradução. Parábola, 2003.
Paulo Rónai, Como aprendi o português, e outras aventuras. INL, 1956.
Rosa Freire d'Aguiar, Memória de tradutora. NUT/Escritório do Livro, 2004.
Tradução: Entrevistas (vários links para diversas entrevistas com tradutores)

BANCOS DE TESES, ARTIGOS AVULSOS, VARIEDADES:
Banco de Teses e Dissertações sobre tradução,USP
Banco de Teses e Dissertações sobre tradução, UNICAMP
Banco de Produção Acadêmica sobre tradução, UFRJ
Banco de Dados sobre tradução, UNESP
Banco de Teses e Dissertações sobre tradução, UnB
Banco de Teses e Dissertações sobre tradução, Mackenzie
Banco de Teses e Dissertações sobre tradução, PUC-SP
Banco de Teses e Dissertações sobre tradução, UERJ
Banco de Teses e Dissertações sobre tradução, UFMG
Banco de Teses e Dissertações sobre tradução, UFPR
Banco de Teses e Dissertações sobre tradução, Portal MEC Domínio Público
Periódicos UFSC, relação completa, com textos de eventual interesse na área de tradução
Produção discente: PGET/UFSC (banco de teses e dissertações)
Produção docente: PGET/UFSC (artigos, livros etc.)
Banco de artigos na Scielo (busca por "tradução" e correlatos)
Eliane Fernanda Cunha Ferreira, "Machado de Assis: crítico e teórico do traduzir, por subtração", in Em Tese, vol. 6, 2003, UFMG.
Márcia do Amaral Peixoto Martins, "As contribuições de André Lefevere e Lawrence Venuti para a Teoria da Tradução", in Cadernos de Letras 27, UFRJ, 2010.
Rosemary Arrojo, "Tradução", in José Luiz Jobim (org.), Palavras da crítica. Imago, 1992.

VER TAMBÉM:


DITRA, Dicionário de Tradutores Literários no Brasil. PGET/UFSC.
Karen Volobuef, Página acadêmica (literatura e teatro de língua alemã no Brasil). UNESP.
Laurence Hallewell, O livro no Brasil. EDUSP, 2005 (2a. ed., visualização parcial).
Peter O'Neill, Irish Literature in Brazil since 1888. 2009